quarta-feira, 9 de outubro de 2013

... Só Deus sabe o que estive tentando dizer ...

Descansarei...
Enquanto soar a harmoniosa melodia das aves, plainam em seu firmamento revelando-o  inegavelmente vivo e consciente , como um ser que vê , ouve, pensa e sente, e de fato, a própria vida é.

Deleitar-me-ei...
Enquanto houver esse seu céu azul, celestial e terno, que me convida e me comove hora como um oceano sereno a me envolver, hora tempestuoso e tão forte, tão forte, tão forte...não cabe em mim a descrição de sua grandeza, nem palavras enfeitadas, nem adjetivos arranjados, podem expressar ao certo, o quanto seu céu cinzento, entre sombras e luz, aspira a um só tempo temor e afeto.

Me alegrarei ainda...
No doce e lento mover de suas nuvens nos dias de verão, se espalham e se confundem tão brancas e tão puras, quanto seu coração leal, permanece para sempre em perfeição.

Não temerei o dia mal...
Se puder sentir em minha pele, seu sol ardente, tão majestoso que não posso olhá-lo, sem que minha visão se embarace, e  meus olhos lacrimejem diante de tão extrema luz.
anos luz dessa terra, arde estrela flamejante, tão longe e tão perto, criação reflete o criador segue queimando todos os dias esse coração que fizeste, quando te encontro ,me encontro e vivo outra vez, não apenas criatura, mas graciosamente filha!


Raquel Fernandes 22/09/2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Coisas que eu gosto

Só para constar
Existem coisas que eu gosto
Eu gosto de dias de chuva
Com céu nublado
Cheiro molhado do asfalto
Passarinhos se banhando
Na imensa ducha do firmamento
E de ver da janela de vidro
As gotas formando poças no meio fio

Gosto também
De fotografias de pessoas idosas
Das rugas e suas formas
Denunciando a vida
Que de um jeito ou de outro
Foi vivida até ali
E os olhos! Ah como são lindos
Aqueles olhos vivos
Contornados pela flacidez
De um rosto já vivido

Gosto do figurino
E das  expressões artificiais
Dos personagens de novelas mexicanas
Do exagero cômico de suas falas
Mas principalmente dos vilões
Quando pensam alto
E são filmados em primeiro plano
De costas pra alguém
E das mocinhas
Por sua inocência surreal

Gosto de ir ao shopping sozinha
Sentar-me na praça de alimentação
E fingir ler um livro
Enquanto observo com prazer
As maneiras das pessoas ao redor
E como elas olham pra mim
Adivinho suas personalidades
Algumas me divertem
Outras me entristecem profundamente
Assim mesmo sem saber

Gosto do cheiro de livros velhos
Com paginas amareladas e gastas
De procurar neles coisas escritas
Rabiscos ou manchas de café
E de imaginar quem as deixou ali
Como seriam as mãos
Que um dia folhearam
a mesma pagina que eu
E quando fez isso
Onde estava?
E como estava o tempo?
E  que horas foi?
E o que pensou?

Gosto de balanços
Dos que têm correntes
De sentar neles
E ouvir o barulho da corrente
Ameaçando romper em algum lugar
Enquanto balanço e olhos os meus pés
Se afastando do chão
depois se aproximando de novo
E de parar de repente
E quase cair




por Raquel Fernandes